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A atual era pós digital é um “tesarac” – sabemos que o mundo antigo já passou, desconstrói-se o presente e ainda não é possível prever o futuro. Há muitas incertezas e vastas possibilidades, é comum sentir-se assustado e perdido na mesma proporção de desafiado e entusiasmado.
Não estou imune a esse ambiente de inquietude, expectativa e certo desamparo assim como muitos que me rodeiam. Mas o momento também é de intensa de colaboração e co-criação da nova realidade que se desenha. Por isso, divido aqui um pouco da minha história e reflexões.
Sou brasileira, casada, 42 anos, 2 filhos adolescentes, formada e pós-graduada. Sou originária de uma família classe média onde educação e trabalho sempre foram valores inegociáveis e prioridade para todos.
Desde cedo sou leitora voraz, aluna dos mais variados cursos de formação profissional e de autodesenvolvimento. Estar bem informada e em constante evolução são como ar para mim. Tenho desenvolvido uma sólida carreira no setor privado de Comunicação, meu trabalho é desafiador, tenho um ótimo ambiente de trabalho e minha rede de relacionamento profissional é ampla e relevante.
Tudo certo então, né? Nem tudo.
Sou aquele tipo de profissional que conheceu o computador na faculdade, viu a internet nascer e considerou o Orkut uma revolução. Tem boa parte da carreira construída no que agora chamamos “velha economia”, longe da avalanche pós-digital atual.
Como em praticamente todos os negócios, a área em que trabalho se modifica a todo minuto; a forma como produzimos e distribuímos conteúdo é diferente do que fazíamos há 1 ano atrás e as novidades não param, nossos telespectadores e usuários estão em movimentação frenética, as tecnologias envolvidas são muito velozes e disruptivas nos fazendo estar em constante adaptação. A forma como vendemos e nos relacionamos com o mercado é alvo de constante transformação e aquisição de novas ferramentas, nossa estrutura é cada vez mais ágil e multifuncional, precisamos inovar constantemente sem perder a essência básica do negócio, somos gerações de profissionais que trabalham, concomitantemente, com a única certeza de que não há certezas.
E assim, quando acho que estou entendendo e tendo domínio de boa parte do que está acontecendo e para onde os negócios caminham, buummm! Descubro que ainda há muito por vir… O cenário é de muita incerteza e de muitas oportunidades! Para alguém formada para ter uma única carreira, isso não é fácil.
A completa digitalização das coisas reascendeu nossa urgente humanidade, o ritmo frenético de trabalho tem nos feitos aprender a respirar e meditar, os cursos acadêmicos nos dão “inputs” de que é preciso exercitar nossas habilidades artísticas, essa ebulição toda nos faz ter que confiar no fluxo da vida. Contraditório, não? Talvez, mas acredito cada vez mais que isso faz parte da REVOLUÇÃO.
Daqui a pouco, provavelmente a partir dos nossos netos, a grande parte das tarefas hoje consideradas atividades profissionais, estarão sendo feitas por máquinas. E nós, a geração “recheio do sanduíche”, que nem se aposentou na “velha economia” nem nasceu já com o chip adaptado, como estaremos?
Nesse momento, estamos tendo que nos integrar, nos reinventar e revolucionar enquanto criamos filhos, pagamos contas, cuidamos dos nossos pais, mantemos a saúde, interagimos com vizinhos e amigos, cuidamos da previdência, e nos divertimos. Há uma antiga expressão que traduz: “trocar o pneu do carro enquanto dirige”.
E por isso, muito tem se estudado e debatido sobre habilidades e características importantes para o sucesso e realização do profissional do século XXI. Uma coisa parece bastante provável: serão características bastante humanas que nos diferenciarão no ambiente de tecnologia, robôs e inteligência artificial. As seis habilidades abaixo têm me parecido bastante adequadas para a interação com esse cenário:
- Autonomia: ter capacidade de agir segundo as próprias normas; confiança para lidar com os próprios desafios e respeito pela capacidade do outro em lidar com os próprios desafios; predomínio do discernimento (ego adulto) nas relações com terceiros; postura de igual para igual.
- Coragem: ter capacidade de lidar com os próprios medos e enfrentar desafios, não se deixar paralisar pelo medo; predisposição para conviver com o novo e revisar pontos de vista sobre qualquer tema.
- Autoestima: ter visão positiva sobre si mesmo (ética e estética), com capacidade de valorizar produtivamente os traços pessoais positivos, sem sofrer com as próprias limitações; postura de igual para igual nas inter-relações.
- Confiança: ter propensão básica de confiar que as coisas caminham para melhorar, apresentando maior predisposição para o otimismo. Predisposição para considerar o universo amigável.
- Criatividade: prezar o pensamento livre, com capacidade de encontrar novas alternativas; busca transcender modelos.
- Experiência: priorizar o aprendizado através da vivência de novas condições; valorização do uso em detrimento da posse como fonte de aprendizagem.
Quanto ao novo modelo mental necessário para usufruir desse universo de possibilidades pode-se fazer as seguintes correlações:
– CAPACIDADE DE INOVAR: concilia a originalidade aplicada (experiência e criatividade) e a inventividade prática (criatividade e coragem); analisa a capacidade de criar e implementar.
– CAPACIDADE DE TER RELAÇÕES POSITIVAS: concilia a interação empática (autonomia e confiança) e a convivência sadia (autoestima e confiança); analisa a capacidade de estabelecer empatia pautada no discernimento e atuar bem em equipe.
– CAPACIDADE DE LIDAR COM O DIFERENTE: concilia o posicionamento assertivo (autoestima e coragem) e a visão multicultural (autonomia e experiência); analisa a capacidade de se comunicar com assertividade no confronto de ideias e abertura para o convívio com a diversidade (cultural, estilos de vida, etc).
As capacidades de inovar, criar e manter relações positivas e de lidar com o diferente (muitas vezes contraditório) são necessárias a todo instante, nos mais diversos contextos e com vários objetivos. No ambiente do trabalho então, nem se fala! São posturas que a princípio parecem fáceis e simples, mas nos desafios do dia a dia; na pressão dos resultados, prazos curtos, equipes multifuncionais, diversidade cultural e objetivos pessoais envolvidos, essas posturas tornam-se merecedoras de estudo, treino, mensuração, acompanhamento, recálculo de rotas e muito auto enfrentamento.
Bom, com disse no início, contei algumas reflexões e deixei algumas indicações de características e posturas que tem me feito sentido no atual momento. Em um próximo artigo trarei algumas experiências práticas com das três capacidades listadas acima. E você? Como tem se sentido e comportado nesse cenário “tesarac”?